O amor é um tema difícil. Facilmente se cai na lamechice quando, na verdade, é o tópico mais interessante do mundo. Acho que é isso que me constrange, o medo de não lhe fazer justiça.

Se pensarmos, é a única coisa que importa no mundo e tudo o que é feito com amor, é bom. Tudo. Até um simples texto.

O problema é a sua materialização. A necessidade de explica-lo. Se deixássemos que o amor se mantivesse na sua dimensão imaterial, de onde nunca devia sair, ele podia crescer mais e melhor porque não tinha qualquer limitação.

Nas relações, por exemplo, o grande problema é a constante necessidade de provas que pedimos ao outro. E para quê? Se o amor for verdadeiro, o seu tamanho não cabe em prova nenhuma, será sempre muito mais que isso. Se o deixarem, o amor espalha-se por todo o lado e vai até ao infinito.

Um dia, quando também nós já não dependermos dos contornos do físico, vamos conseguir apreciar essa incomensurabilidade. Contudo, para quem sente o espartilhamento dos limites, o tudo, acaba por saber a nada. É preciso dar tamanho ao que para nós tem que ter nome, som, cor e cheiro.

É por isso que sabe tão bem um gesto de amor. Tranquiliza-nos. Um anel, um casamento…uma fiança de que é reciproco e que se quer para sempre.

Uma prova dada de amor não representa o seu todo, nunca. Mas será sempre uma boa recordação. Assim como uma fotografia de um dia feliz.

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