“A vida é sempre a perder”, disse-me no outro dia um amigo, a propósito de uma infelicidade, a citar Xutos e pontapés.

Na altura concordei sem dar grande importância à frase. Mas ficou a ecoar-me na cabeça- será que a vida é mesmo sempre a perder?

Não! Claro que não. – resolvi.

E consolei-me com esta ideia:

– só podemos perder aquilo que temos, e se temos é porque o ganhámos. Não é sempre a perder.

É claro que é fácil perceber o que querem dizer com isto o Tim e companhia.

O tempo que passa, a infância e a juventude que se vão,  nossas e dos nossos; a vida como ela era.

Tudo muda, passamos a ser velhos, passamos a ser os pais, passamos a ter menos amigos. Vão-se pessoas queridas.

Muda mas não acaba. Não perdemos nada disto. Fica para sempre connosco porque faz parte do que somos e do que construímos.

E mesmo quando nós mudarmos de vivos para mortos, fica. Porque tudo o que nós fomos fica nos outros e o que os outros foram, fica em nós. Ninguém morre, nunca. Quando se ama e se é amado, nunca se perde.

Quando se ama e se é amado, a vida é sempre a ganhar.

 

P.S.- Por estranho que pareça este texto foi escrito antes de sabermos da triste notícia da sua morte, mas com tudo o que deixou à música, com tanto que amou e foi amado pelo seu público (onde nos incluímos), estas palavras assentam como uma luva à vida do Zé Pedro: foi sempre a ganhar. E quem ganhou mais fomos todos nós.

R.I.P.  Zé Pedro.

 

 

Share
Tags: No tags

Comments are closed.