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Quando foi mãe pela primeira vez, há pouco menos de dois anos, descobriu que o seu sonho era poder acompanhar o crescimento do filho a full time, pelo menos nos primeiros anos de vida. Curiosamente, foi com a concretização de outros dois sonhos já antigos, que conseguiu cumprir este.

Rita de La Bletiére uma mulher cheia de energia positiva, empreendedora e bonita que ainda nem tem 30 anos e já é um exemplo de que, quando persistimos, conseguimos.

A construção de um sonho

Jornalista de formação, iniciou o seu percurso profissional com um estágio na vogue. Quando chegou ao fim, foi contratada pela GQ, uma revista do mesmo grupo onde escrevia sobre arte, carros e artigos de comportamento. Tempos que descreve como “extraordinários!”

 Ao fim de algum tempo, porém, sentiu que ainda não tinha encontrado o realmente queria fazer e decidiu experimentar outras coisas.

Foi nessa altura que aceitou um convite de Maria Fernandes Thomaz para ir trabalhar em catering e mudou radicalmente de área.

“Gostei imenso do trabalho! Gostava imenso da Maria e aprendi muito.”

Contudo, quando nasceu o seu filho, nasceu o sonho de que falávamos ao inicio de o acompanhar de perto até aos três anos.

Como sempre foi apaixonada por moda e por crianças, (chegou a ponderar o curso de educadora de infância), decidiu conciliar os dois mundos e, quando o seu bebé tinha 6 meses, fez nascer uma marca de roupa infantil, a Le Petit Chiffon.

“juntei o útil ao agradável porque achei que tinha que mudar de vida. Não estava a imaginar enfiar o meu filho numa cresce aos 6 meses. Vivia angustiada todas as noites com isso. Até que, com o apoio da minha mãe, consegui lançar a Le Petit Chiffon.”

O nome foi inspirado na sua Bisavó que desenhava lingerie para a Channel e a quem chamavam de “Madame Chiffon”. Adaptou o nome ao seu “Petit”, e assim surgiu, Le Petit Chiffon.

Nascida por amor

Quem vê e toca nas roupas desta marca, percebe que só podem ser feitas com muito amor.

Para além de pequenos detalhes, que fazem toda a diferença, a Le Petit Chiffon só utiliza materiais orgânicos e comprados em Portugal. A parte de interiores que exige máquinas especiais de corte, é feita numa fábrica portuguesa e, a parte de exteriores é feita por duas costureiras que, como garante Rita:

“são muito queridas e perfeitas! Cada uma à sua maneira.”

O que não nos custa a acreditar quando olhamos para os acabamentos irrepreensíveis de cada uma das peças.

Percebe-se bem que em todo o processo de feitura destas roupas há uma figura central em que todos estão a pensar: a criança que a vai usar.

Rita pensa no filho. Será possível dedicar mais amor que isso?

“É a roupa que gostava de ter encontrado para ele, e que só foi possível por causa dele. Há coisas que só nos lembramos que são úteis quando somos mães! Por exemplo os bodys extensíveis que criei…se não tivesse um filho, nunca chegava lá.”

O céu é o limite

 Com o cuidado que tem em ser absolutamente responsável e exemplo de boas práticas na produção das suas peças, Rita surpreende-se com as encomendas que recebe da China, “um mercado onde habitualmente as marcas recorrem para produzir mais barato mesmo que, muitas vezes, a mão de obra seja infantil.”

É bom sinal. Quer dizer que as mentalidades estão a mudar e, pelos vistos, esta marca 100% portuguesa, contribui para isso.

Mas a China não é o único mercado estrangeiro onde quer chegar. Já tem propostas para a Suíça e Inglaterra e está a planear participar em várias feiras internacionais.

“Agora é darem-me asas, e eu vou. O céu é o limite”

Pela sua marca imagina-se a ir a todo o lado. No entanto, garante que não vai “voar mais alto” do que pode, já que o filho estará sempre em primeiro lugar.

“A Le Petit Chiffon cresce com o P. como os bodys que criei! Neste momento estou com ele em casa e pretendo continuar até que tenha três anos”.

Contudo, o seu objectivo é que cresça mesmo, e que o faça até um ponto em que garanta o seu futuro já que é isto que se imagina a fazer por muito tempo.

“Em diferentes escalas, claro. Neste momento não se justifica o investimento, mas o meu objectivo é ter lojas, quer em Portugal, quer no estrangeiro. Isso seria espetacular!”

Acreditar

 Rita acredita muito neste seu projeto mas, explica-nos que durante algum tempo foi quase a única. Essa foi, aliás a maior dificuldade que encontrou no seu percurso.

“Convencer as pessoas de que isto era uma coisa boa, foi difícil. No inicio as pessoas olhavam para a Petit Chiffon um bocado como se fosse uma brincadeira que não ia dar certo…e eu acho que se enganaram um bocadinho em relação a isso…”

Agora, garante, já estão todos convencidos o que, para ela é importante:

“Apesar de fazermos as coisas por nós, é difícil quando temos todos à nossa volta a achar que é tudo uma tontice. É sempre mais fácil quando acreditam no nosso projeto…que é profissional, mas também de vida.”

One women show

É preciso uma boa dose de energia e coragem para fazer o que Rita faz. É que, na Le Petit Chiffon, para além do apoio financeiro que tem da mãe, sua sócia, e de “algumas luzes” que esta lhe vai dando, o trabalho é todo seu, como nos explica:

“eu desenho as roupas, falo com os fornecedores, costureiras, faço a contabilidade, a comunicação da marca, encomendas, entregas… tudo!”

Os passos são sempre bem medidos. Só assim tem conseguido levar esta relação de verdadeiro amor, entre ela e a marca, cada vez mais longe.

“ Eu vou onde consigo chegar! A minha primeira coleção tinha quatro peças, depois a outra a seguir já teve mais e agora, sem contar com os interiores, que são os clássicos, tenho 7 ou 8 modelos novos… e cheguei à parte dos exteriores que era um objetivo… não há orçamento para tudo de uma vez, mas agora está a crescer. Vamos ver o que eu consigo fazer mais.”

 

Feitas as contas, se contarmos com interiores e com todas as cores disponíveis, a coleção deve chegar às 30 peças. Isto sem contar com os tamanhos disponíveis que, se no inicio se destinavam apenas a bebés até aos 18 meses, agora vão até aos 6 anos (ou mais, por encomenda).

O Essencial 

Gere o tempo em função do seu bebé e tenta nunca trabalhar nas horas em que está com ele porque esta mãe e empresaria não tem dúvidas sobre o que é essencial para si:

 “A minha família e a minha tranquilidade. não consigo viver em stress”.

 

Loucuras por Amor

Sem perder um segundo a pensar, responde sem hesitar:

 “a maior loucura que já fiz por amor foi esperar dois anos por alguém que estava noutro país quando só o tinha conhecido há dois meses”

Uma loucura que aparentemente compensou já que hoje são casados e têm um filho.

 

O Amor é

“Para mim, é tudo!”

E isso percebe-se bem quando falamos com ela!

Obrigada Rita de La Bletiére por teres conversado connosco, por nos teres mostrado as roupas lindas que criaste e, mais importante, por nos teres revelado o teu sonho.

Boa sorte!

 

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